Sábado, 21 de septiembre de 2019
 
Encontro de Formadores/as da CRB (Conferência dos Religiosos/as do Brasil)
 
Curitiba (PR, Brasil), 27-29 de Maio
 

«…apesar da escassez vocacional, hoje temos noção mais clara da necessidade de uma melhor seleção dos candidatos ao sacerdócio. Não se pode encher os seminários com qualquer tipo de motivações, e menos ainda se estas estão relacionadas com insegurança afetiva, busca de formas de poder, glória humana ou bem-estar econômico».

(Papa Francisco, Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, 107)

Entre os dias 27-29 de maio na casa Medalha Milagrosa das Filhas da Caridade em Curitiba-PR aconteceu mais um Encontro de Formadores/as da CRB (Conferência dos Religiosos/as do Brasil) para refletir sobre algumas temáticas relacionadas com a Formação Inicial. Participamos 63 religiosos/as.

Os dois primeiros dias foram dedicados a tratar o tema: “Como ajudar os jovens na dimensão da afetividade e sexualidade na prática do acompanhamento na formação para a Vida Consagrada”, sendo assessorado pelo padre Adalto Chitolina, SCJ, que com sua longa experiência e sabedoria muito nos ajudou a esclarecer alguns aspectos desse tema complexo e polémico, mas sempre necessário e desafiante. Tivemos palestras, partilhas e debates. Não há receitas prontas para tratar cada um dos problemas e desafios apresentados, mas é importante que os formadores estejam capacitados adequadamente para desempenhar esta tarefa de uma maneira eficaz.

A afetividade e sexualidade são dimensões fundamentais, inerentes, próprias do ser humano e se na vida do seminarista/consagrado não for trabalhada bem, pode se tornar um problema e fonte de muito sofrimento para o próprio sujeito e muitas vezes também para os que convivem com ele.

Verificou-se, pelo testemunho dos formadores/as, que não são poucos os problemas relacionados com a afetividade e sexualidade, mesmo que não poucas vezes estas problemáticas sejam camufladas de diversas maneiras e não identificadas e trabalhadas no momento oportuno. Constatou-se e dialogamos sobre diversas dificuldades e desvios na dimensão da afetividade e sexualidade e percebemos que nem sempre os formadores estão preparados suficientemente para trabalhar de uma maneira conveniente esta dimensão afetiva e sexual.

Diante da realidade percebida são muitos os desafios, mas há um consenso: hoje necessitamos de um processo seletivo mais sério e qualificado e de um acompanhamento formativo apropriado que dê conta de todas essas demandas e consiga de fato ajudar os seminaristas no seu processo de crescimento.

O terceiro e último dia foi trabalhado o tema: “A influência que os diversos modelos eclesiológicos exercem sobre os candidatos, vocacionados e seminaristas hoje”. O Pe. carmelita, Claudemir Rozim, foi encarregado de assessorar este assunto e muito nos ajudou a tomar consciência que por detrás de qualquer prática vocacional, formativa, etc. há um modelo eclesiológico. Apresentou diversos modelos de Igreja, com as suas influências positivas e negativas. Também a Vida Consagrada e cada família religiosa acentuam ou dão ênfase a um modelo eclesiológico em detrimento dos outros. Há necessidade de clarificar essa temática e saber qual é o modelo que cada congregação assume e verificar como podemos enfrentar e harmonizar os modelos eclesiológicos com a proposta da Vida Consagrada e com a concretização do carisma específico da cada família religiosa.

Foi muito proveitoso as partilhas e celebrações, percebendo a riqueza da Vida Religiosa em nossa Igreja. Como anedota singular, participaram desse encontro um formador agostiniano, Frei Luiz (OSA), um agostiniano descalço, Frei Darci (OAD) e um agostiniano recoleto, Frei José Lorenzo (OAR).

Curitiba, 29 de maio de 2014