Lunes, 23 de septiembre de 2019
 
Acompanhados para acompanhar
 
Escola de Formadores SJ (Madri, Espanha)
 

Fr. Shyju Joseph Pallathiparambil, OAR, desde 2013 está fazendo o Mestrado em Discernimento Vocacional e Acompanhamento Espiritual -Escola de formadores S.J.- que tem sua sede em Salamanca. No presente artigo dá-nos uma informação sobre o que está estudando e sua experiência.

Acompanhados para acompanhar no discernimento vocacional

O meio social, cultural e religioso volta-se a cada vez mais complexo e exige uma adequada formação em todos os âmbitos da vida. A Igreja, a vida religiosa, envolvida nesta realidade, deve e tem de responder às exigências que lhe propõe a sociedade atual. Por isso, a frase: “ninguém ama o que não conhece”, hoje cobra importância.

Desde faz vários anos, por não dizer desde sempre, a Igreja vive preocupada pela formação dos futuros pastores e religiosos para que possam exercer um bom serviço na construção do Reino de Deus. Nestes tempos faz-se necessário e urgente apostar pelo acompanhamento pessoal dos candidatos à vida religiosa para garantir sua formação integral: antropológica, psicológica, espiritual e acadêmica, de tal maneira que leve o candidato a configurar-se com Cristo.

O Concilio Vaticano II no Decreto Optatam Totius, sobre a formação sacerdotal diz: «Visto que a formação dos alunos depende de sábias leis, e, sobretudo de educadores idôneos, escolham-se entre os melhores os Superiores e os professores dos Seminários[1], e preparem-se diligentemente com sólida doutrina, conveniente experiência pastoral e adequada formação espiritual e pedagógica. Por isso, é conveniente que se fundem Institutos para a consecução deste fim, ou pelos menos, cursos devidamente organizados e reuniões de Superiores de Seminários em tempos determinados.» (OT nº 5).

Dentro de nossa Ordem de Agostinianos Recoletos o Projeto de Vida e Missão 2014-2016, também nos faz questão da preparação adequada para o acompanhamento pessoal dos formandos e na preparação específica de religiosos para esta missão tão importante e singular.

O Mestrado em discernimento vocacional e acompanhamento espiritual que estou realizando, baseado em uma antropologia cristã, tem como objetivo preparar pessoas capazes de integrar, na formação, as dimensões espiritual, psicológica e pastoral. Quer oferecer à igreja local e congregações religiosas, formadores/as não só, entusiastas e comprometidos, senão também competentes, que sejam capazes de acompanhar aos formandos e de discernir e favorecer neles a fidelidade ao seu compromisso vocacional.

O objetivo do Mestrado não é só formar psicólogos; aliás, é verdade, que o programa acadêmico inclui alguns conceitos de psicologia profunda e de outras ciências humanas, com o fim de oferecer a seus alunos os meios necessários para realizar eficazmente seu ministério como formadores.

Este Mestrado dirige-se a sacerdotes, religiosas, religiosos e a laicos comprometidos, que estejam desempenhando ou vão desempenhar um trabalho direto na promoção, formação ou acompanhamento vocacional. Também pode ser de utilidade para os que realizam tarefas como educadores da fé ou acompanham processos formativos pessoais mediante os Exercícios espirituais, a direção espiritual e a formação de agentes de pastoral.

Somos conscientes que a tarefa não é fácil, mais bem é complexa e exige assumir com humildade os retos que se nos propõem. Muitos institutos religiosos estão fazendo denodados esforços por propiciar uma boa formação aos jovens que tocam a suas portas e querem iniciar uma experiência de vida ao estilo Jesus de Nazaré dentro do carisma da Ordem ou Instituto. Jovens vocacionados aos que devem atender em suas diversas necessidades vitais, já que se atrevem viver contracorrente neste mundo descrido e inclusive estão dispostos a renunciar a todo um projeto de vida.

Creio e estou convencido, que precisamos especialistas na escuta, pais espirituais, isto é, pessoas que acompanhem e orientem às novas gerações. A “escola de formadores” oferece cursos, cujo objetivo primordial é ajudar acompanhar e sanar as diferentes feridas com as que chegam os formandos. Estes cursos têm dupla direção: por uma parte, o trabalho pessoal através de colóquios personalizados com um especialista, e por outra parte, as classes presenciais nas que se retomam e se aprofundam temas relacionados com a maturidade humana, espiritual e vocacional. Todo isso ajuda a afiançar e aprofundar na própria vida, para depois ajudar aos demais. Certamente, isso não é suficiente, mas dá umas ferramentas básicas para ajudar a outros a superar as diferentes dificuldades que acontecem na vida e no processo do itinerário formativo.

O acompanhamento é de vital importância nas diferentes etapas da formação, já que sempre precisamos de alguém para reorientar nossa vida vocacional. Pessoalmente está sendo uma experiência frutífera e inolvidável. As classes, a convivência e as práticas,… tudo me ajuda a aprofundar em minha própria vida para que em um futuro possa compartilhar com os demais.

Desejo terminar este relato que tenho compartilhado convosco, agradecendo ao Senhor por esta oportunidade que me tem dado na minha vida religiosa e sacerdotal.


[1] Cfr. Pio XI, Encíclica Ad catholici Sacerdotii, 20 dez: 1935: AAS 28 (1936) p: 37: «Seja sobretudo cuidada a escolha dos Superiores e dos professores... Destinai a estes colégios sacerdotes ornados de grande virtude; nem hesiteis em retirá-los de outras funções, na aparência de maior importância, mas que na realidade não têm comparação com este ministério essencial, a que nenhum outro leva vantagem»: Este principio da escolha dos melhores é inculcado novamente por Pio XII na Carta apostólica dirigida aos Bispos do Brasil em 23 abril: 1947: Discorsi e Radiomessaggi IX, pp. 579-580.